• Sarah Furucho

Acessibilidade na educação ambiental não é um bicho de sete cabeças

Atualizado: Abr 2

Desde 2018, a acessibilidade passou a ser um princípio básico para a nossa atuação. Afinal, o acesso à educação ambiental é um direito de todas as pessoas.

Aqui na Fubá, nossa equipe tem se mobilizado para possibilitar o acesso a todas as pessoas em nossas ações educativas. Mesmo quando não sabemos ao certo qual será o público da atividade.

Em julho deste ano realizamos uma exposição sobre as ações do nosso parceiro, o Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS). Ela aconteceu durante a reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Durante três meses nós planejamos o evento com muito cuidado de forma a envolver todas as pessoas. Pessoas com diferentes especificidades visitaram o nosso estande e recebemos comentários positivos de pessoas que se sentiram incluídas.

Algumas das nossas primeiras tarefas foram mapear o espaço disponível, pensar nas interações educativas, nos materiais, e na disposição de cada elemento. 



Foto da nossa primeira reunião de planejamento para a SBPC. #pratodosverem Audiodescrição resumida: Selfie de Daniel, Sarah, Monica, Milena e Andreia. Eles estão em uma sala. Daniel e Sarah estão agachados e seguram cartazes, Monica e Milena estão sentadas e há vários materiais no chão. Andreia é vista de perto.

Antes de organizar uma atividade como essa, podemos nos fazer algumas perguntas:

Uma pessoa de cadeira de rodas, ou com mobilidade reduzida, ou com deficiência visual conseguiria circular naquele espaço? Além de  definir o local evitando escadas e pisos escorregadios por exemplo, reflita também sobre os objetos que estarão presentes. Evite tapetes e tudo o que possa provocar queda, escorregar, esbarrar, dar tontura, enroscar, bater a cabeça... Em nossa exposição, para para simular um solo com areia e uma estrada, optamos por usar lona desenhada, com largura que permitisse o giro de uma cadeira de rodas. 

Fotos de visitantes no estande circulando sobre a lona. #pratodosverem Audiodescrição resumida: Montagem com três fotos. Em todas as fotos é visto uma lona em tons de marrom e bege delimitando o caminho e há alguém com cadeira de rodas sobre ela. Na primeira foto há meninos e meninas vistos de lado e de costas. Um dos meninos está em uma cadeira de rodas. Na segunda há quatro pessoas vistas de costas. Uma delas está em uma cadeira de rodas. Na terceira foto há quatro pessoas. Um homem está em uma cadeira de rodas.

Os textos estão com fonte e tamanho legível? Opte por fontes sem serifas. Arial e Verdana são boas opções. Há contraste entre fonte e fundo? Preto e amarelo são bastante utilizados.


Foto de alguns materiais utilizados na exposição. Há cartões e fichas de animais com fotos e respectivo desenhos de pegadas com informações curtas e objetivas, placas de sinalização de trânsito, e de falas de apicultores sobre o tatu-canastra e de caminhoneiras e caminhoneiros sobre atropelamento de fauna. #pratodosverem Audiodescrição resumida: Foto de placas e cartões com contraste e pouco conteúdo de texto. A maioria dos materiais são em preto e amarelo.

Há materiais sensoriais para enriquecimento? Possibilidade de tocar os objetos? Peças em alto e baixo relevo de pegadas de animais, um tatu-canastra e um tamanduá-bandeira taxidermizados foram alguns dos recursos disponíveis em nosso estande. Todo material podia ser tocado pelas pessoas que visitavam a exposição. Por exemplo, na segunda foto da montagem abaixo, há um rapaz com surdocegueira tateando o tamanduá taxidermizado. 



#pratodosverem Audiodescrição resumida: Montagem com quatro fotos dispostas em duas linhas e duas colunas. Na primeira linha e coluna, na foto há três meninas e uma mulher. Uma das meninas segura um objeto laranja na mão esquerda e está de frente com uma caixa de areia. Do lado direito, há uma foto de duas pessoas em frente a uma caixa. Na primeira coluna da segunda linha há uma foto de peças em alto e baixo relevo de pegadas de animais. Na foto ao lado, há um cupinzeiro e um tatu-canastra taxidermizado.


As informações estão simples e objetivas? Estão associadas a imagens de fácil compreensão? Um exemplo da nossa exposição é o cartão comparativo de diferentes espécies de tatu em relação ao tamanho do ser humano.



#pratodosverem Audiodescrição resumida: Foto de pessoas no estande. São vistos uma criança, e dois homens. Um dos homens é visto de costas em uma cadeira de rodas. Ele segura na mão direita um papel com pequenos textos, desenhos diferentes de tatus e a silhueta de um ser humano. Os tatus estão enfileirados em coluna do menor para o maior ao lado da figura do humano. Há uma mesa na frente deles com alguns objetos.

Esses foram alguns aspectos que pensamos ao prepararmos a exposição para a SBPC. Percebemos que sempre é possível melhorar a acessibilidade em uma atividade e/ou espaço, mesmo que não seja viável atingir a perfeição. Portanto, permita-se improvisar quando achar necessário e conveniente, lembrando que o importante é propiciar a melhor experiência educativa para todas as pessoas.

Ou seja, promover acessibilidade é uma busca constante. E para isso devemos estar disponíveis para realizar mudanças. Estamos aprendendo e tornando nossas atividades e comunicações mais inclusivas a cada dia. E a nossa sugestão para você nesta semana é refletir e buscar formas de tornar as suas ações educativas mais acessíveis também. Aceita o desafio?

Acessibilidade: nosso site possui audiodescrição das imagens como texto alternativo ou em caixas de texto. Quando possível, incluímos janela de LIBRAS.

Conteúdo inspirador sobre teoria em prática na educação ambiental direto no seu e-mail:

Entre em contato!

contato@fubaea.com.br

  • LinkedIn ícone social
  • Facebook Social Icon
  • Instagram Social Icon
  • YouTube Social  Icon
Logo do FubáZINE