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  • Mayla Valenti

A natureza faz falta

Já não é de hoje que a presença da tecnologia digital tem crescido no nosso dia a dia. Mas, com a pandemia de repente ela invadiu nossas vidas de uma forma que ainda não tínhamos experimentado. Por motivo de segurança, as interações físicas estão muito mais limitadas. E temos usado as telas para trabalhar, estudar, conversar com as amigas e os amigos, encontrar a família, visitar museus, parques, praias.


Para muita gente, essa nova rotina significou sentir falta de algumas coisas que antes nem pareciam tão importantes. Uma delas é o contato com a natureza. Olhar para o céu, tomar sol, pisar na água, comer uma fruta do pé, subir na árvore, ouvir os passarinhos cantando, deitar embaixo de uma sombra, admirar uma árvore florida no meio da cidade...


Quem mora em apartamento está sentindo falta de um quintal. Quem tem quintal, queria sair pra fazer uma trilha. As vendas nas lojas de plantas subiram na quarentena, mostrando que as pessoas estão querendo mais verde dentro de casa. É, realmente, a natureza faz falta.




Foto de divulgação do FubáZINE
#PraCegoVer #PraTodosVerem Foto de um fruto de Jabuticaba grudado no tronco da árvore visto de perto. O fruto é roxo e tem o cabo verde. O tronco é marrom arroxeado. Ao fundo é visto outra parte do tronco da árvore, sem foco. A foto possui moldura branca. No centro, na parte inferior, é visto o logo do FubáZINE em preto e branco. Ao redor da moldura, o fundo da imagem é amarelo.


Diferentes estudos nas áreas da saúde, da psicologia e da educação mostram a importância do contato com a natureza para a criação da nossa identidade, para a saúde mental, para o desenvolvimento cognitivo das crianças... Mas nem é preciso consultar esses trabalhos para perceber essa importância. Nós estamos sentindo isso na pele.


A relação com os elementos naturais nos ajuda a prestar mais atenção no nosso corpo. É por meio dele, usando os diferentes sentidos, que nos conectamos e aprendemos com a natureza não humana. Esse é um tipo de aprendizado diferente. Que não é racional. É sensorial. Mas que faz parte da nossa constituição como seres humanos.


Na educação ambiental nós dizemos que esse aprendizado está inserido na dimensão dos valores estéticos. Essa dimensão é menos considerada nos processos educativos tradicionais. Mas, com a falta que estamos sentindo do contato direto com a natureza, provavelmente ela será mais valorizada daqui para frente. Pelo menos nós esperamos que seja!


Nós acreditamos que a chave para as transformações que queremos no sentido de um mundo mais sustentável está na dimensão dos valores. Tanto éticos, como estéticos. Temos vivenciado muitos exemplos de que conhecer o ambiente é necessário, mas não é suficiente para mudar. A mudança está ligada a algo mais profundo no nosso ser. Algo mais subjetivo. Que é construído nas interações com as outras pessoas e com os outros seres vivos e até não vivos que encontramos pelo nosso caminho.


Então, se aprender com o corpo é tão importante, precisamos encontrar formas de nos conectar (dessa vez, sem wi-fi!). Precisamos proporcionar experiências sensoriais com a natureza para as crianças que estão passando por esse período trancadas. E para nós, adultos, também.

Para reavivarmos essa conexão precisamos de momentos de tranquilidade. De pausas. De vagarosidade. De falta de pressa. De atenção. Sentir o solzinho que entra pela janela. Fazer silêncio para ouvir o vento ou as aves cantando. Trazer mais verde para casa. Prestar mais atenção aos sabores da comida. Se lambuzar comendo frutas. Observar uma formiga trabalhando. Sentir o cheiro de uma flor. Ou de um chá. Experimentar diferentes texturas de folhas e flores com os dedos. Admirar o céu.


Tudo isso já era importante antes do isolamento social. Mas agora se tornou ainda mais essencial. E você? Também tem sentido falta da natureza? O que você tem feito para amenizar essa saudade?


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