• Mayla Valenti

Arte e educação ambiental

O assunto deste FubáZINE foi uma sugestão da Lucineia Pires e do Pavel Dodonov. Ela e ele pediram para falarmos sobre arte e música na educação ambiental. Para nos ajudar nesta tarefa, convidamos a Carolina Rodrigues, especialista neste tema, para uma entrevista.


#PraCegoVer #PraTodosVerem Audiodescrição resumida: foto de uma folha de papel pintada com tinta vista de cima. No centro da folha há um pote com tintas coloridas em potes de vidro. Sobre a folha há outros papéis menores e pincéis. A pintura é abstrata e sem formas definidas. As cores usadas são marrom, amarelo e laranja. A folha está sobre um papel craft. A foto possui moldura branca e na parte de baixo, ao centro, há o logo do FubáZINE e preto e branco.


Fubá: Fale um pouco sobre você e o seu trabalho. Você atua principalmente com quais manifestações artísticas?

Carolina: Eu sou Carolina, menina-mãe-arteira-sonhadora. Quando criança, eu amava andar descalça, comer fruta do pé, balançar embaixo da mangueira do quintal de casa... Falava pouco, me movimentava muito. Brincava sempre de escolinha. Descobri a dança aos nove anos – e aos 12, as danças circulares. Sonhava ser artista, mas aos 17 anos, por indicação médica, foi preciso dar um tempo na dança. Em época de vestibular, descobri a Ecologia, já de olho na Educação Ambiental e ações na natureza. Passei na UNESP Rio Claro e lá encontrei muitas pessoas com o sonho de mudar o mundo. Porém no decorrer do curso, fui percebendo que não dá para salvar o mundo nem a natureza sem salvar primeiro as pessoas, tão desconectadas de si e dos outros. Então, me envolvi com o projeto “A Educação Ambiental e o Trabalho com Valores”, coordenado pela professora Dra. Dalva Maria Bianchinni Bonoto. Era um curso de formação continuada para educadores. Queria poder trazer de volta a dança para a minha vida e sabia que havia uma ligação muito especial entre a dança e a consciência ambiental. Para mim era muito intuitivo, mas não sabia explicar os porquês. Participando do projeto fui me aprofundando e descobrindo os caminhos... Eu me debrucei então nos aspectos relacionados à dimensão estética da educação ambiental para compor meu TCC.  Depois da faculdade iniciei uma formação em arte terapia e, paralelamente, ingressei na especialização em Educação Ambiental na USP São Carlos. Ali fui tentando colar a arte na educação ambiental. Conheci e trabalhei também com o Grupo Ato de teatro em Bauru, que me proporcionou profundos aprendizados sobre arte e educação. Em 2014 me tornei mãe e quis trabalhar de forma autônoma, em casa. Assim nasceu o Dá Tua Mão, que oferece conteúdos, vivências criativas, livros e cadernos artesanais. O eixo central inicialmente eram as danças circulares, mas hoje desdobro vivências criativas de autoconhecimento e expansão da consciência a partir da literatura. Por ser arte terapeuta e facilitar a auto expressão, acabo trabalhando artes integradas.


Fubá: Para você qual é o papel da arte na educação ambiental? E da música, especificamente?

Carolina: Diante de tanta fragmentação do conhecimento e do próprio ser humano, de tanta desconexão, de pessoas distantes de si mesmas e do outro, a arte é o alento, o acalento, o abraço, um respiro... Ela nos retorna a dimensão humana que deixamos sufocada em algum lugar dentro de nós. Para o ser envolto em arte, não há como não estar plenamente engajado. Ela exige postura de consciência, ação e reflexão diante da vida. E quando estamos inteiros, plenos, temos escolhas mais conscientes e conscienciosas (colocamos em movimento a consciência, praticamos o que conhecemos). Isso reverbera na questão ambiental, uma vez que tudo está profundamente conectado. Com arte elevamos nosso potencial criativo e aprendemos a atuar com mais responsabilidade. Aprendemos que, como co-criadores podemos criar formas mais inteligentes, sensíveis e integradas de estar no mundo, com o mundo. Arte é vital. Não só para a educação, mas também para nós, para o humano.

A música então... Ela nos eleva! Não dá pra viver sem música. Ela é o pulso do movimento. Em tudo há música porque em tudo há vibração. Tudo é som e é movimento; tudo é ritmo. Quando trazemos isso à consciência, relacionando a música que está em nós com a que observamos na natureza, vamos percebendo ainda mais a integração Eu-Natureza, Eu-outro, e penso que é quando isso acontece que a educação ambiental é efetiva.


Fubá: Para nós, a experiência estética tem tudo a ver com a dimensão dos valores. Você também percebe dessa forma?

Carolina: Com certeza! Foi justamente sobre isso que me debrucei no projeto que participei na faculdade. A estética tem a ver com o sentir. Até comecei a usar a palavra estesia, que se aproxima ainda mais do radical “aisthesis”. Sentir com o coração, sentir o mundo de maneira plena e integrada. E os valores se referem  justamente àquilo que nos toca, àquilo que chega ao nosso coração. Fazemos juízo de valor a respeito daquilo que nos afeta, e a experiência estética (estésica) é isso. Quando deixamos nosso coração ser tocado ficamos mais sensíveis a nós e ao outro, sentimos de forma integrada com o outro e com o todo. Então, nos percebemos mais predispostos à cooperação, ao altruísmo, à bondade, à compaixão, à gentileza... Por isso, todo o trabalho do Dá Tua Mão hoje é pautado nos valores humanos e no florescimento das virtudes, o que para mim é educação ambiental.


Fubá: Quem quiser inserir mais arte nas ações de educação ambiental, por onde deve começar? 

Carolina: Primeiro, é preciso deixar teu coração ser tocado. É perceber o que te sensibiliza, o que te faz vibrar... O Educador é um focalizador e vai transbordar naturalmente na sua prática o que carrega em si. Basta estar atento... É preciso também consumir arte, apreciar, fruir... E buscar aprender sempre. Sugiro os autores em que me apoiei no meu TCC para quem quer começar: Rubem Alves, João Francisco Duarte-Junior, Andrea Marin, Carlos Restrepo. É importante deixar também que teu público se expresse artisticamente; facilitar momentos de apreciação, de fruição e, ainda, explorar a imaginação, os sentidos e a criação. 



Quanta inspiração podemos obter desta entrevista, não acha!? Se você quiser conhecer mais do trabalho da Carolina Rodrigues pode acessar o blog do Dá Tua Mão. Lá estão publicados vários textos que vão ajudar você a se aprofundar neste tema. Além do blog você pode espiar o catálogo do empreendimento da Carolina. Você pode encontrar por lá ótimas ideias de presentes que oferecerem uma verdadeira experiência estética!

Nossa sugestão para você nesta semana é: pensar em como inserir mais arte e experiências estéticas nas suas ações educativas. Aceita o desafio?

Acessibilidade: nosso site possui audiodescrição das imagens como texto alternativo ou em caixas de texto. Quando possível, incluímos janela de LIBRAS.

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