• Mayla Valenti

Educação ambiental como disciplina na escola


Vamos tratar de um tema bastante polêmico no campo da Educação Ambiental. Não é de hoje que se discute se a educação ambiental deve ou não ser uma disciplina obrigatória na escola. Quem defende a criação da disciplina acredita que essa é uma maneira de garantir espaço para a educação ambiental na escola. Além disso, a medida geraria emprego para muitas educadoras e muitos educadores ambientais e incentivaria a formação na área em cursos do ensino superior ligados à educação. Atualmente, a Política Nacional de Educação Ambiental não permite a criação da disciplina e indica que a Educação Ambiental seja trabalhada de forma transversal e transdisciplinar, ou seja, em todas as disciplinas. Um dos principais argumentos de quem é contra a criação da disciplina é justamente o caráter transdisciplinar da Educação Ambiental. Existe uma grande preocupação em evitar que as ações sejam focadas apenas na transmissão de conhecimentos científicos da área das ciências biológicas ou simplificadas na apresentação de comportamentos ecologicamente corretos. Esse grupo também defende que a Educação Ambiental não deve ser responsabilidade de apenas uma pessoa, mas de todas as educadoras e todos os educadores.


#PraCegoVer #PraTodosVerem Audiodescrição resumida: foto de alunos em biblioteca. Eles estão sentados em cadeiras laranjas dispostas em mesas circulares. Sobre as mesas há papéis de dobradura. Há uma mulher em pé mostrando uma dobradura nas mãos. No fundo há estantes de livros. A foto possui moldura branco e no centro inferior há o logo do FubáZINE em preto e branco. O fundo da imagem é amarelo.

Por outro lado, a Política Nacional de Educação Ambiental está em vigor desde 1999 e muitas pessoas consideram que as ações educativas voltadas às questões ambientais na escola estão longe do ideal, tanto em relação à quantidade de projetos desenvolvidos, como em relação à sua qualidade. Alguns estados e municípios inclusive implantaram a disciplina de Educação Ambiental, descumprindo a Política Nacional. Este tema voltou à tona em 2015 porque o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) apresentou o projeto PLS/221/2015 que prevê a obrigatoriedade da disciplina em todas as séries do ensino fundamental e médio. Este projeto causou uma grande reação das pessoas e movimentos que atuam na Educação Ambiental. Um número grande de pessoas e grupos assinou o “Manifesto de educadoras e educadores ambientais contra o PLS 221/2015(Clique aqui para ler o manifesto na íntegra). Uma das críticas em relação a esse projeto é que ele foi formulado sem consultar as pessoas que atuam na área e que poderiam trazer contribuições importantes para a proposta.

Aqui na Fubá nós dialogamos sobre o assunto e reconhecemos a importância da transversalidade e da transdisciplinaridade da educação ambiental na escola. Ao mesmo tempo, consideramos que a obrigatoriedade da inclusão da educação ambiental no currículo escolar poderia impulsionar a educação ambiental em todos os níveis de ensino, inclusive no ensino superior na formação inicial de professoras e professores. Nós consideramos que a principal preocupação e tema de diálogo deveria ser COMO será a inclusão da Educação Ambiental no currículo. Essa inclusão poderia abrir espaço, inclusive, para que a escola adequasse a proposta à sua realidade. E, mesmo que a opção seja por uma disciplina, ela poderá ser desenvolvida por meio de projetos que envolvam toda a comunidade escolar e assim, ser desenvolvida de forma transdisciplinar. Ou seja, mesmo que tenha uma professora ou um professor a frente do trabalho, toda a escola pode ser envolvida nos projetos de educação ambiental. Outra preocupação seria quais profissionais serão contratados para ministrar essa disciplina. Será importante que a disciplina não fique apenas sob a responsabilidade de profissionais da área da Biologia, mas que permita a atuação de pessoas com as mais variadas formações para garantir a pluralidade de saberes nas ações educativas. Nesse sentido, temos identificado que muitas pessoas gostariam de atuar na área, mas não sabem muito bem como ou onde trabalhar. O mercado de trabalho para educadoras e educadores ambientais não tem sido tão valorizado como deveria e a disciplina na escola poderia incentivar a contratação de profissionais que têm se especializado na área. De qualquer forma, este é um tema que precisa de muito diálogo para que a possível mudança nas políticas públicas de fato proporcionem transformações positivas na prática educativa escolar. Por isso, temos convicção de que precisamos consultar as e os profissionais que atuam nas escolas para entendermos melhor a suas dificuldades, as suas demandas e as suas propostas de soluções para esta questão.

Para contribuir com este diálogo, organizamos um bate-papo online sobre o tema com convidadas e convidado especiais: as professoras Natalia Vieira de Carvalho, Haydée Torres de Oliveira e Valéria Ghisloti Iared e o professor Diógenes Valdanha Neto. O bate papo foi organizado pela Fubá - Educação Ambiental e Criatividade em parceria com a APASC - Associação de Proteção Ambiental de São Carlos e com a Rede de Educação Ambiental de São Carlos em 2016. Mas o conteúdo ainda é muito atual. Vale a pena assistir!





Você já havia pensado sobre este tema? Qual é a sua opinião? De que forma a Educação Ambiental deveria estar presente na escola? Como poderíamos melhorar as ações educativas na escola se a educação ambiental for mantida como tema transversal e com caráter transdisciplinar? Como poderia ser a disciplina de educação ambiental, caso ela se tornasse obrigatória?



RÁDIO FUBÁ!



Nesse episódio da Rádio Fubá a Ariane Di Tulio entrevistou a professora Elza dos Santos, que é pedagoga e especialista em Educação Ambiental. A história dela é uma lição de vida e de comprometimento com a Educação Ambiental. Elza trabalha na educação infantil na rede municipal de São Carlos e desenvolve um trabalho inspirador de educação ambiental na sua escola. Além de compartilhar a sua experiência, ela trouxe tantas lições para nós que fica até difícil enumerar: ela contou como a sua vivência com a terra na infância influenciou o seu trabalho, mostrou como cuidar da questão estética do ambiente escolar foi importante, como ela consegue engajar toda a comunidade em seu projeto, como valorizar o trabalho de toda a equipe de professoras e ainda como persistir mesmo recebendo muitos nãos e ainda transformá-los, aos poucos, em sins. Vale a pena aproveitar cada palavra de sabedoria dessa professora experiente que se comprometeu de corpo e alma em transformar a sua escola e a sua comunidade. Ou seja, tudo a ver com o tema dessa edição do FubáZINE. Para ouvir a entrevista com a professora Elza, é só clicar aqui.

#educaçãoambientalnaescola #educaçãoinfantil #radiofubá #hortanaescola #disciplinadeeducaçãoambiental #transversalidade #transdisciplinaridade

Acessibilidade: nosso site possui audiodescrição das imagens como texto alternativo ou em caixas de texto. Quando possível, incluímos janela de LIBRAS.

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