• Mayla Valenti

Educação ambiental fora da escola

Atualizado: Nov 18

Imagine a cena:

“O ônibus chegou meia hora atrasado. Assim que a professora desembarcou, já foi dizendo preocupada: temos que estar na escola de volta às 11h30! Já eram 10h. Tudo bem, a gente adapta o roteiro. As crianças foram descendo curiosas e agitadas. Algumas perguntavam o que iriam ver na trilha. Outras diziam que estavam com fome. A professora pedia silêncio. E assim, mais uma visita começava…“

Se você é ou já foi guia, educadora ou educador de uma trilha, zoológico, aquário, museu, provavelmente já vivenciou esta cena. Você se prepara, estuda o conteúdo, pensa em atividades diferentes para fazer durante a visita e quando o grupo chega parece que tudo vai por água abaixo. Você tem que percorrer o caminho com pressa, com várias adaptações. Às vezes dá tudo errado mesmo. Você não consegue se conectar com o grupo e se sente frustrada ou frustrado. Mas na maioria das vezes, mesmo com todos os desafios, você termina a visita feliz por mais um dia de trabalho interagindo com pessoas e com a natureza.

Aqui na Fubá todas nós já tivemos experiências como monitoras de trilhas e sabemos bem como é, tanto a parte boa, como a parte desafiadora. Por isso, resolvemos fazer uma série de posts para compartilhar nossas histórias, ideias e sugestões que levem a uma educação ambiental fora da escola de fato transformadora.


Muitas pessoas chamam essa área de educação não formal. Outras não gostam do termo e usam educação comunitária, educação não escolar, educação ao ar livre, ou ação socioeducativa.



#PraCegoVer #PraTodosVerem Audiodescrição resumida: foto de uma jovem tocando uma árvore. A jovem é vista de costas, tem pele clara, cabeços longos e loiros. Ela toca o tronco de uma árvore com casca grossa. Ao fundo há vegetação em tons de verde. No centro, na parte inferior, é visto o logo do FubáZINE em preto e branco. Ao redor da moldura, o fundo da imagem é amarelo.

É sobre esse contexto que vamos conversar. Vamos focar os espaços de educação, cultura e lazer que recebem visitantes (escolares ou não) para realizarem atividades de educação ambiental. São as unidades de conservação, as áreas rurais ou parques urbanos; os zoológicos e os aquários, os museus de ciências, históricos e de arte, as cavernas, as cachoeiras, as praças, os centros culturais e quaisquer outros locais fora da escola que propiciem uma atuação educativa durante as visitas.

Todos são lugares muito especiais com potencialidades educativas incríveis. O problema é que muitas vezes acabamos nos esquecendo dessas possibilidades e, como educadoras ou educadores, reproduzimos os mesmos conteúdos e atividades típicas da escola. Quer saber alguns exemplos?

Uma visita que fica centralizada na fala das educadoras e educadores e o público pouco participa da construção dos conhecimentos. Uma palestra com slides ou vídeos focados em conteúdos interessantes apenas para a equipe do local. Aquela visita que se torna uma verdadeira aula de biologia, apresentando nomes de espécies em latim, nomes de estruturas ou processos biológicos que nunca mais serão lembrados pelas pessoas que estão visitando o local.

Você se identificou com algumas dessas situações? Pois é, nós admitimos que tudo isso é muito comum. É difícil nos desvencilharmos do tipo de formação tradicional pela qual nós passamos. Mesmo que não seja nossa intenção, acabamos reproduzindo conteúdos e metodologias que não fazem tanto sentido para uma educação fora da escola.

Nós acreditamos que o grande potencial dos espaços educadores é justamente poder oferecer experiências únicas que não poderiam ocorrer na escola, ou em outro espaço de educação mais rígido, fechado. Ou seja, é preciso desenvolver atividades que aproveitem da melhor maneira possível o espaço e os recursos didáticos disponíveis.

E isso envolve promover ao máximo as experiências sensoriais, estéticas, observações, diálogos e interações profundas com aquele ambiente e com as pessoas presentes no momento da visita. Todas essas atividades têm grandes chances de gerarem experiências inesquecíveis. Ou seja, os espaços educadores têm um potencial educativo enorme que poderia ser bem mais aproveitado.

E se você não atua com educação ambiental, mas frequenta trilhas, museus, zoológicos e aquários, talvez já tenha vivenciado alguma cena que citamos aqui. Por exemplo: você já se viu sentada ou sentado em frente a uma tela, tendo uma trilha repleta de cores, cheiros e aventuras esperando por você lá fora? :-) Pois é! É disso que estamos falando!

Nos próximos posts vamos detalhar outros aspectos típicos de espaços de educação não formal. Se você tiver alguma sugestão de conteúdo ou pergunta sobre este tema, é só você comentar aí embaixo!

Acessibilidade: nosso site possui audiodescrição das imagens como texto alternativo ou em caixas de texto. Quando possível, incluímos janela de LIBRAS.

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